Todo estudante de negócios convive com decisões do Estado, mesmo quando não percebe. Impostos afetam preços e margens. Regulações definem custos e riscos. O gasto público influencia demanda, infraestrutura e produtividade. Ainda assim, grande parte do debate público sobre governo costuma se reduzir a slogans, como se bastasse escolher entre "mais Estado" ou "menos Estado". A economia do setor público começa com uma pergunta mais exigente: por que sociedades modernas criam um Estado e entregam a ele poder de tributar, regular e redistribuir renda?
A resposta não é apenas moral ou ideológica. Ela é econômica. Em muitos casos, o Estado existe porque mercados, sozinhos, não conseguem produzir certos resultados de forma eficiente. Em outros, o problema não é a ausência de Estado, mas o desperdício de recursos, a má alocação do orçamento ou a criação de regras que travam a produtividade. Por isso, o objetivo desta unidade é oferecer ao aluno uma forma disciplinada de pensar políticas públicas como escolhas reais, com custos, benefícios e consequências previsíveis.
A unidade começa com o Capítulo 1, que apresenta o campo das finanças públicas e discute como medir o tamanho do governo, mostrando por que olhar apenas para gasto e arrecadação pode ser insuficiente. O Capítulo 2 introduz o método de análise econômica aplicada, com foco em evidência e causalidade. O Capítulo 3 discute critérios normativos, como eficiência e equidade, que orientam o julgamento de políticas. Os Capítulos 4 e 5 completam o fundamento teórico ao explicar duas falhas clássicas de mercado que justificam a ação estatal: bens públicos e externalidades.
Ao final desta unidade, o aluno deve ser capaz de ler o debate fiscal e regulatório com outra lente. A pergunta não será apenas "o governo deve agir?", mas "quando faz sentido agir, qual instrumento é mais adequado, quem paga a conta e quem se beneficia?". Essa será a base analítica que sustentará todo o restante do curso.